sexta-feira, 21 de setembro de 2012

... os anjos

Duas pessoas de boa alma e coração de ouro tornaram nossa estadia em Moscou mais agradável e ainda tiveram papel fundamental na realização de um sonho: percorrer a Transiberiana.

O primeiro anjo da guarda é Saida Ziyadkanova.

Com um sorriso sempre aberto no rosto, Saida teve uma paciência de Jó conosco e, diante das dificuldades de comunicação na Rússia, ela escreveu uma carta para a vendedora de passagens de trem conseguir entender nossos planos de viagem. Ela também nos ajudou a preencher formulários de vistos para a China, encontrar endereços de embaixadas ém Moscou e a providenciar documentos necessários para a viagem. Não temos palavras para agradecer tanto carinho e atenção.

O segundo anjo da guarda é a Svetlana. Essa elegante mulher cruzou nosso caminho na fila da Embaixada da China em Moscou e, de imediato, atuou como nossa tradutora com os funcionários do local. Diante de algumas exigências complicadas para o visto, ela emprestou o celular, fez várias ligações para nos ajudar com a papelada e ainda nos deu carona. Ainda mantemos contato por e-mail e Svetlana tem sido fundamental para nos ajudar na preparação da viagem. Graças a ela, conseguimos informações valiosas sobre o trem em que vamos viajar.

À Saida e Svetlana, nosso muito obrigado!
Thank you very much! большое спасибо!

... o metrô

Na antiga União Soviética, as estações de metrô eram construídas para ser os palácios do povo. E que palácios! Monumentais salões de granito e mármore, esculturas, mosaicos, pinturas, afrescos, lustres de cristal, colunas e símbolos do comunismo enfeitam o espaço onde milhares de russos passam diariamente.
Esta semana, fizemos o chamado “tour underground” e visitamos oito das 185 estações distribuídas em 12 linhas.




















Além da beleza, outra curiosidade interessante do metrô é a profundidade das estações. Algumas estão a mais de 100 metros abaixo do solo. Trocando em miúdos, isso significa que você fica até três minutos numa gigantesca escada rolante para chegar à plataforma dos trens... Parece que você está a caminho do centro da Terra e costumamos brincar que, a qualquer hora, vamos abraçar o capeta ali. Rsrsrs... Mas tanta profundidade tem uma razão de ser. As estações foram construídas para servir de abrigo para a população no caso de um possível ataque nuclear durante a Guerra Fria.


E a população ter o maior orgulho desse tesouro subterrâneo. Não há uma pichação ou rabisco nas paredes das estações. Nem um papel de bala sequer é encontrado no chão. E o mais curioso é que os russos usam o espaço como um banco de praça, seja para encontrar os amigos, ler um jornal ou ficar sentado jogando conversa fora.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

... a surucada

O espírito Yoná baixou em mim e suruquei de vez meu cabelo.




Ainda não tenho uma opinião formada sobre o novo visual não. Confesso que não sei se gosto mais de mim assim, com cabelos curtos e modernos, ou com as madeixas compridas... Mas de uma coisa eu tenho certeza: estou me sentindo mais livre agora! E isso tem me deixado infinitamente feliz!

... o paladar

Quando a coisa fica russa para o nosso lado, buscamos conforto no paladar.

Um bife com um ovo frito no melhor estilo PF do Sandoval...


Um pastel de carne frito na hora! Detalhe: sem nenhum tempero!


Ou um milho verde quentinho...

... o dente de ouro

Tem muito altar de igreja de Ouro Preto que não é capaz de ostentar a riqueza de um sorriso russo. Êta povo que gosta de um dente de ouro!


Sem comentários, né?

... o cemitério

Moscou conta com um intrigante cemitério do socialismo. Dezenas de estátuas de Lenin, Stalin, Marx e outros ícones do antigo regime soviético descansam em paz nos jardins do Parque da Cultura. Isso porque, com o fim do comunismo, eles estão perdendo espaço nas ruas e praças da cidade.















Mas não se iludam pensando que as marcas do socialismo estão reduzidas ao “cemitério”. Essas estátuas retiradas das ruas não representam nem a milésima parte das que ainda mantêm o brilho e a imponência nos quatro cantos da cidade. Até hoje, mais de 20 anos depois da queda do regime, é impossível dar um passo na rua sem tropeçar no tradicional símbolo com o martelo e a foice cruzados e numa estátua dos políticos mais influentes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

... o Kremlin

Esperávamos visitar o centro político da Rússia, mas nos deparamos com a sede espiritual do país. O Kremlin, que desde os primórdios é residência dos imperadores russos, abriga nada menos que cinco catedrais em seu interior...
Esse fato nos deixou intrigados, pois sempre soubemos da fama de ateu dos comunistas e jamais pensamos encontrar tantas referências religiosas justamente na sede do poder deles.








Aliás, por falar em religião, gostaria de registrar aqui uma passagem interessante que encontrei na internet, enquanto pesquisava sobre a relação entre socialismo e fé. Segundo o texto, publicado num jornal russo de 1905, com ideais de Lenin, líder do Partido Comunista, “a religião é uma forma de opressão espiritual” sobre as massas. Quando li este trecho, fiquei com preguiça do tom utópico. Mas logo encontrei uma frase que me fez refletir: “Àquele que toda a vida trabalha e passa necessidades, a religião ensina a resignação e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste. E àqueles que vivem do trabalho alheio, a religião ensina a filantropia na vida terrena, propondo-lhes uma justificação muito barata para sua existência de exploradores e vendendo-lhes a preço módico bilhetes para a felicidade celestial.”
Desculpem pelo momento divagação, mas acho que vale pensar a respeito.