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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

... o jantar

Terminamos no Cairo nossa expedição pelo Norte da África e Oriente Médio. Nos últimos 20 dias, percorremos Egito, Israel, Palestina e Jordânia para nos maravilharmos com paisagens surpreendentes, passarmos apertos inesquecíveis e mergulharmos num caldeirão cultural.
Fechamos essa jornada com um jantar no Pizza Hut (única opção na cidade), ao lado de um simpático casal da Malásia. Como o restaurante estava lotado por causa do fim do horário de jejum do Ramadan, compartilhamos uma mesa com Raihanah Suparman e Muhammad Hilmi Bin Husman, estudantes de medicina que vivem no Cairo e nos contaram um pouco das suas histórias de vida. Casados há um ano, a muçulmana Raihanah está grávida de três meses.




... Alexandria

Nossa penúltima parada no Egito foi marcante para o nosso olfato. Alexandria cheira a chorume em todos os cantos da cidade, numa sujeira impressionante.
As únicas belezas que merecem destaque são o Forte de Alexandria e o pôr-do-sol no Mar Mediterrâneo.











... o trem

Finalmente entendi a função de um guarda-pó, artigo tão presente nas histórias da minha vó Yára sobre antigas viagens de Itaúna para Belo Horizonte.
Se eu e Renato tivéssemos um bom e velho acessório desse aqui no Egito, certamente estaríamos mais felizes e mais limpos. Rsrsrs! Fizemos uma viagem de 13 horas, de Luxor para Alexandria, num trem de primeira classe, com ar-condicionado, poltronas largas e reclináveis... na maior metideza.
Mas vocês não conseguem imaginar o tanto de poeira que entrava no vagão por uma minúscula fresta existente no vidro. De tempos em tempos, precisávamos dar uma faxina nos encostos de braço e no apoio da janela para dar uma melhorada na situação. A sorte é que o Renato tinha uma camiseta bem surrada para ser usada como espanador de pó.
Mas essa não foi a única função da pobre camiseta... Ela também foi útil para matar as moscas que invadiam o trem em cada parada. Já deu para ver que a primeira classe egípcia é uma esculhambação total, né?!
 Apesar desses detalhes, a viagem vale a pena pelas paisagens e pelos exóticos egípcios que entram e saem do trem durante o percurso.










domingo, 12 de agosto de 2012

... o calo

As beatas e os “piolhos” de igreja que conheço têm os joelhos calejados de tanto rezar. Mas, no Egito, os muçulmanos mais fervorosos esbanjam calos na testa, acreditam?


Isso é o resultado das cinco orações diárias obrigatórias da religião islâmica. Todas as vezes que as mesquitas emitem um chamado pelos seus minaretes, homens e mulheres abandonam suas tarefas e estendem imediatamente seus tapetes no chão para começar as preces. Durante cerca de 15 minutos, eles permanecem com a cabeça apontada em direção à cidade de Meca (na Arábia Saudita), se ajoelham e tocam a testa no chão dezenas de vezes.

A fé deles é tamanha que até os ônibus de viagem (não turísticos, claro) fazem paradas em rodoviárias improvisadas à beira da estrada para rezar nas horas sagradas. Nós presenciamos várias dessas cenas curiosas esta semana. Quando nos deslocávamos de Sharm el-Sheik para Luxor, numa exaustiva viagem de 16 horas de duração(!!!), nosso ônibus parou às 19h20 em ponto - hora do pôr-do-sol e, portanto, do fim do jejum do Ramadan -, para que todos os passageiros pudessem orar e fazer a primeira refeição do dia. Maravilhoso!

... a liderança

Acho que encontramos uma nação atleticana no Egito.
Nas ruas, avenidas e praças, os egípcios buzinam seus carros incessantemente. Essa confusão só pode ter uma explicação: o Galo líder do Campeonato Brasileiro!

... o nilo

O Rio Nilo é encantador em todo o Egito, mas, em Luxor, ele parece ter um charme especial. Ainda no esquema “hotel de luxo a preço de banana”, nós curtimos esse tesouro da sacada do nosso quarto.
O pôr-do-sol e o vai-e-vem dos barcos são simplesmente maravilhosos.







sábado, 11 de agosto de 2012

... a máquina do tempo

Juro que escrevo esta postagem despida de toda a maldade e a ironia que minha afiada língua costuma apresentar.
Passeando pelo Centro de Luxor, eu e Renato temos a exata sensação de termos entrado numa máquina do tempo. Parece que a cidade está estacionada no início do século passado, com toda a magia e também toda a escassez de infraestrutura que isso possa representar. Charmosas carruagens desfilam pelas ruas de terra batida; bazares de temperos e especiarias movimentam uma multidão de árabes com suas roupas típicas; e frutas, verduras, carnes e peixes são vendidos em bancas improvisadas no meio da rua, misturados a roupas e sapatos.




























Mas o que mais me chocou foi a simplicidade de um parque de diversões montado na praça principal da cidade. Não tenho palavras para descrever a pobreza dos brinquedos! Uma roda “gigante”, de 3 metros de altura, é movida por um homem através de uma manivela. Um carrossel, com cavalinhos de madeira e a pintura toda descascada, também funciona a mão. E os balanços são barquinhos de metal todos enferrujados disputados pelos egípcios. E, para completar, a decoração é feita com lâmpadas coloridas que, se não estão queimadas, estão tão empoeiradas que não conseguem brilhar...